Minha primeira participação no All American Open, em Nova York

Tempo de leitura: 4 min

em setembro 24, 2018

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Minha primeira participação no All American Open, em Nova York

Aos 19 anos de idade, lutei pela primeira vez no campeonato pan-americano de Karate Kyokushin. Na época, o evento tinha o nome de America’s Cup, mudando no ano seguinte para All American Open.

All American era só o nome mesmo, pois o evento geralmente contava com atletas do mundo inteiro, sendo considerado por muitos um mini-mundial.

O ano era 2001, e o mês, setembro.

Se você tem boa memória, deve se lembrar do que aconteceu na cidade de Nova York no dia 11 de setembro daquele ano. Pois é, o ataque às torres gêmeas. E o evento estava marcado para 11 dias após a tragédia.

Eu, que não fazia parte da equipe escalada para participar, estava treinando, mas não com foco em lutar, pois não tinha nenhum evento programado. Vinha de uma derrota em agosto daquele ano, e estava um pouco desanimado.

Após a notícia da tragédia, muitos dos atletas que originalmente iriam lutar, acabaram desistindo. Inclusive alguns membros da equipe brasileira, o que fez com que sobrassem algumas vagas para o evento.

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Com o surgimento das vagas, meu mestre perguntou para mim se eu estaria interessado em participar. Prontamente eu disse que sim. Demos entradas nos papéis para tirar um visto de emergência, pois tínhamos pouco tempo até o evento.

Passaporte e visto em ordem, partimos para o America’s Cup 2001.

A equipe brasileira estava bem menor do que o previsto. Na categoria adulto, estavam Sergio da Costa, que havia sido campeão da edição anterior, o gaúcho Alessandro Gonçalves, e eu. Na categoria juvenil, estava Eduardo Tanaka.

Chegamos em Nova York. O clima de tensão era visível. Todos pareciam apreensivos e esperando que algo mais acontecesse.

Ficamos hospedados nas dependências do YMCA, a nossa ACM. O membro mais experiente da equipe, Sergio da Costa, nos orientava sobre o que fazer nos dias que antecediam o evento. Com a experiência adquirida em muitos outros eventos dos quais já tinha participado, já estava acostumado a viagens como essa, e era o único integrante da equipe que já tinha ido para lá.

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No dia do evento, encontramos membros da equipe boliviana e chilena, com quem fizemos amizade. Eram duas mulheres chilenas, um homem boliviano e um homem chileno, chamado Daniel Chereau.

O primeiro brasileiro a lutar foi Eduardo Tanaka, que foi campeão na categoria juvenil com certa facilidade.

Após auxilia-lo, nos concentramos na sala de aquecimento, onde conversávamos e analisávamos a chave do campeonato. Confesso que não me lembro com quem fiz a primeira luta, mas me lembro que passei sem maiores dificuldades.

Na primeira rodada tivemos a nossa primeira baixa. Nosso companheiro gaúcho foi derrotado por um atleta da equipe japonesa. Após o resultado, nos recompomos e focamos no que viria pela frente.

Em um dos intervalos do evento, olhando a revista do campeonato, vimos as matérias sobre os favoritos ao título. Entre eles, é claro, estava o Sergio. O título de sua matéria era “Defending Champion”.

Outro atleta com destaque na revista era o japonês Kentaro Tanaka. Ele havia vencido o campeonato japonês na categoria meio-pesado, e era a aposta do Japão para ser um futuro campeão mundial. Entre outras coisas, a matéria dizia que, se ele fosse campeão, seria o mais jovem a vencer o America’s Cup. Tanaka tinha 20 anos na época. Lendo isso, meu amigo chileno Daniel disse: “Se você vencer, você será o mais jovem”.

Nas quartas de final, enfrentei um atleta japonês Gun Irisawa, que havia se classificado entre os 16 melhores no mundial de 1999. Quem lê, pode imaginar que ficar entre os 16 pode não ser o melhor dos resultados, mas o campeonato contava com 192 atletas do mundo inteiro, ou seja, não é pra qualquer um.

Após uma luta dura, venci na primeira prorrogação, o que fez minha motivação aumentar muito.

Do outro lado da minha chave, estava Sergio. Ele enfrentou o duro polonês Silvester Sypien. Apesar de ter vencido, durante a luta Sergio começou a baixar a guarda, e não entendíamos porquê ele estava mantendo um dos braços abaixado.

A explicação veio após a luta. Ele havia tomado um chute giratório, e o calcanhar do adversário acertou em cheio o osso do braço dele, que se quebrou na hora. Na semifinal do torneio, ele seria meu adversário, mas por conta do ocorrido, venci por W.O. A lesão de Sergio trouxe para ele muitas dificuldades, pois os hospitais estavam lotados por conta do atentado, então ele voltou para o Brasil sem ser atendido, com o braço muito inchado e dolorido, o que piorou durante o voo de volta.

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Na final, enfrentei a promessa japonesa Kentaro Tanaka. Eu era um desconhecido no circuito internacional, mas não estava disposto a perder a chance de vencer um evento tão importante.

Parti pra cima do começo ao fim da luta, não dando chances para o adversário reagir. Com isso, venci por decisão unânime dos jurados. Nem eu esperava tal resultado em minha primeira participação no evento, apesar de ter ido para vencer.

O resultado foi muito comemorado, pois o Brasil era o único país a vencer o torneio até então. Havíamos vencido duas vezes com Glaube Feitosa, uma com Sergio da Costa, e agora uma comigo.

Este foi o campeonato que me fez acreditar mais no meu potencial e me fazer querer chegar cada vez mais longe. Foi a prova de que, mesmo se a preparação física e técnica não tiverem sido suficientes, se mantiver a concentração e o foco no cumprimento do objetivo, tudo é possível.

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3 Comentários

  • jucy Machado disse:

    Eu adoro ler seus textos para o Heros nos motiva e impressiona a riqueza dos detalhes, a gente vai imaginando o dia como ocorreu tudo. Parabens sensei linda trajetória.

    1. Ewerton Teixeira disse:

      Fico muito feliz por vocês estarem lendo e gostando dos meus textos. Vou intensificar o compartilhamento das minhas experiências por meio deles. Muito obrigado!

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